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Por que um paciente escolhe você?

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Reflexões sobre aquisição e fidelização na nova era da medicina


No tempo dos nossos avós, escolher um médico era quase uma questão de destino. Existiam poucos profissionais, e eles eram vistos como figuras de autoridade incontestável. O paciente não escolhia — ele simplesmente ia ao “doutor que existia” na cidade.


Hoje, esse cenário mudou radicalmente.

Há muitos médicos, clínicas e especialidades. O paciente moderno não vai apenas ao médico disponível — ele escolhe. E essa escolha é guiada por reputação, estilo, experiência e confiança.


Segundo o Panorama das Clínicas 2024, 44% das clínicas brasileiras apontam como maior desafio atrair novos pacientes, e 39% relatam dificuldade em melhorar sua visibilidade online (Doctoralia/TuoTempo/Feegow). Em um país com mais de 291 mil clínicas e consultórios registrados (IBGE), a competição nunca foi tão intensa.

E aqui surge a reflexão: por que, entre tantas opções, um paciente deveria escolher você?


A aquisição: a primeira escolha é sempre emocional


Atração hoje não é só competência clínica — o paciente já pressupõe que você seja bom. O que define a primeira escolha é a soma de impressões e sentimentos que ele tem antes mesmo de chegar à sua sala.


Pense em alguém que procura um novo médico. A primeira ação não é ligar para o consultório, mas abrir o Google. O que ele encontra? Um perfil atualizado, avaliações recentes, uma foto acolhedora, talvez até um vídeo onde você explica de forma simples um tema complexo. Esse paciente já começa a sentir que conhece você.


O oposto também acontece: perfis sem foto, comentários antigos ou ausência digital. A escolha, nesse caso, já está feita — e não a seu favor. Não por acaso, 80% dos pacientes levam em consideração avaliações online antes de marcar consulta (Doctoralia). Autoridade, hoje, é conquistada em rede. E, quando o paciente finalmente marca, o estilo faz diferença. Alguns querem objetividade; outros valorizam uma escuta longa e cuidadosa. Não existe fórmula única. Mas existe um ponto comum: ninguém se fideliza a quem é genérico. Identidade é diferencial.


O paciente protagonista: de obedecer a participar


Se antes o paciente era um espectador passivo, hoje ele quer ser protagonista. Ele chega informado, questiona, traz dúvidas que encontrou em fóruns ou aplicativos.


Isso não significa desrespeito à autoridade médica, mas uma transformação cultural. 46% dos brasileiros já usam aplicativos de saúde para monitorar hábitos (Medicina S/A – Saúde do Brasileiro 2023), e a Deloitte aponta a consumerização da saúde como megatendência global, na qual o paciente exige conveniência e voz ativa (Deloitte Health Care Outlook 2024).


Além disso, cresce o uso de IA na pré-consulta e autodiagnóstico. A pesquisa TIC Saúde 2024 mostrou que 17% dos médicos no Brasil utilizam IA generativa em suas atividades clínicas (SPX Imagem), e 62,5% das instituições de saúde já incorporaram IA em sua operação (FutureHealth). Muitos pacientes chegam ao consultório com algum tipo de orientação gerada por IA — mais uma camada para o médico integrar e humanizar.


Um exemplo comum: um paciente comenta na consulta que viu um novo exame na mídia e pergunta se deve fazer. Isso pode soar como desafio, mas é oportunidade. Ao explicar, orientar e convidá-lo a participar da decisão, você o transforma em parceiro da jornada. Quando ele se sente parte do processo, a adesão aumenta. Quando se sente ignorado, a confiança se rompe.


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Fidelização: confiança que vai além da consulta


Atrair é caro e trabalhoso. Fidelizar é inteligente e sustentável. Conquistar um novo paciente pode custar até 7 vezes mais do que manter um atual (Apolo, 2025).


Mas fidelização não é só garantir retornos agendados. É criar uma experiência de confiança contínua. O paciente fiel não busca apenas tratamento, mas segurança de que está em boas mãos.


Um exemplo simples: um telefonema após um exame importante, um e-mail lembrando um retorno ou até um comentário pessoal na consulta (“como está sua filha que ia prestar vestibular?”). Esses gestos mostram que o cuidado não termina na prescrição.


E é justamente essa sensação de cuidado constante que transforma satisfação em lealdade.

De pacientes a fãs: a analogia que a saúde ainda não fez


Em outros setores, já entendemos bem a diferença entre cliente e fã. Pense na Apple: consumidores fazem fila para comprar o próximo lançamento, mesmo sem precisar. Na aviação, companhias como a Singapore Airlines transformaram passageiros em fãs, oferecendo experiências tão marcantes que criaram comunidades de admiradores. No futebol, torcedores não são apenas consumidores — são embaixadores espontâneos da marca.


Por que não pensar a saúde da mesma forma?


Um paciente fiel pode voltar regularmente. Mas um paciente fã faz mais: ele recomenda, defende sua reputação, fala do seu cuidado com orgulho, insiste com familiares para que se tratem com você. Ele não apenas confia — ele admira.


Transformar pacientes em fãs exige três pilares:

  • Confiança clínica (competência e consistência)

  • Experiência memorável (cuidado além do óbvio, pequenos detalhes que encantam)

  • Narrativa e propósito (o paciente sente que faz parte de algo maior — a missão da sua clínica, não apenas o serviço prestado)


No Brasil, quase 82% dos pacientes afirmam que a forma como são tratados é tão importante quanto o resultado clínico (Doctoralia). É exatamente aqui que nasce a chance de encantar.


Na prática, a saúde ainda trata pacientes como clientes. Mas quem ousar tratá-los como fãs terá vantagem competitiva difícil de copiar.


A experiência como o novo marketing


Cada detalhe comunica. Da facilidade no agendamento à postura da recepcionista, da sala de espera ao pós-consulta. O paciente pode esquecer parte da explicação técnica, mas jamais esquece como se sentiu. E é esse sentimento que decide se ele volta, se recomenda, se se torna fã.


Experiência virou o novo marketing — e médicos que entenderem isso sairão na frente.


Conclusão: ser escolhido ou ser esquecido?


O paciente moderno sabe que tem opções. Ele compara, pesquisa, avalia. O poder está em suas mãos.

A questão não é se você é bom médico. Isso o paciente já pressupõe. A questão é:

  • Você é lembrado como único, ou confundido com a multidão?

  • Seus pacientes se sentem parte de uma jornada, ou apenas receptores de prescrições?

  • Você tem pacientes satisfeitos… ou fãs que falam de você com orgulho?


Na era da abundância de escolhas, médicos não competem apenas por competência. Competem por confiança, experiência e admiração.


👉 E aqui fica a reflexão: se o paciente tivesse todas as opções diante dele, escolheria você novamente amanhã — e o recomendaria como faz um fã?


Por Jorge E. Zwingel - Founder & CEO Rocketbase


Referências



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