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Crescer ou Estagnar? O Desafio do Growth e Performance nas Clínicas Médicas

Atualizado: 12 de set.

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Médicos empreendedores e gestores de saúde enfrentam hoje um paradoxo intrigante. De um lado, carregam excelência clínica e reconhecimento profissional; de outro, encaram as duras realidades de gerir um negócio de saúde em um mercado competitivo. Afinal, ser um ótimo médico basta para ter uma clínica de sucesso? Essa pergunta provoca uma reflexão necessária.


Este artigo explora como o conceito de Growth – crescimento estratégico orientado por Performance – pode revolucionar clínicas e consultórios, especialmente diante das tendências digitais e comportamentais que estão redefinindo o setor. Prepare-se para insights instigantes sobre pacientes mais exigentes, desafios atuais de aquisição e fidelização e oportunidades de crescimento sustentáveis baseadas em dados.

Será que sua clínica está pronta para crescer de forma inteligente?

Growth em Saúde: Muito Além do Marketing Tradicional


Vamos começar desmistificando o conceito de Growth aplicado ao ambiente médico. Growth, neste contexto, não se resume a “crescer por crescer”, nem se limita a estratégias isoladas de marketing. Trata-se de uma metodologia integrada de crescimento sustentável e escalável, que utiliza testes contínuos e experimentação para otimizar todos os aspectos do negócio (Datasigh, 2023).


Em clínicas e consultórios, isso significa aprimorar processos internos, melhorar a experiência do paciente e embasar decisões em dados – tudo voltado a impulsionar resultados de forma constante e sustentável.


Diferentemente de abordagens tradicionais, o Growth exige uma mentalidade de inovação em toda a equipe. Pequenas mudanças são testadas e medidas continuamente para descobrir o que realmente impulsiona o sucesso. Por exemplo, algo tão simples quanto implementar agendamento online e facilitar contatos pode elevar significativamente a taxa de marcação de consultas e a satisfação dos pacientes.

Colocar o paciente (o “consumidor” de saúde) no centro da estratégia é fundamental – isso significa priorizar a experiência dele em cada ponto de contato. O marketing digital continua importante, mas dentro de uma visão maior: Growth é olhar para o negócio como um todo, alinhando marketing, atendimento, operações e financeiro em uma máquina de crescimento bem ajustada.


Em resumo, abraçar o Growth em saúde é adotar uma postura de melhoria contínua. São métricas, dados e rapidez na adaptação guiando decisões, em vez de suposições ou hábitos do passado. E isso não apenas atrai mais pacientes, mas também os mantém engajados e fiéis. Como resultado, a clínica ganha performance exemplar sem abrir mão da qualidade ou da humanidade no cuidado.


O Paciente como Protagonista na Era Digital


Enquanto muitas clínicas ainda operam em modelos tradicionais, os pacientes não são mais os mesmos. Vivemos a era da consumerização da saúde, em que o paciente se comporta como consumidor empoderado, conectado e exigente (Intermedical, 2023).


Com acesso fácil à informação, hoje ele pesquisa sintomas no Google, compara profissionais, lê avaliações e espera dos serviços de saúde a mesma conveniência que encontra em outros setores. Não por acaso, a consumerização é considerada uma megatendência que coloca o paciente no centro do ecossistema de saúde.


No Brasil, 45% da população já recorre à internet antes de procurar um médico e 46% possuem pelo menos um aplicativo de saúde no celular (Medicina S/A – Hibou, 2023). Essa realidade de saúde conectada tende a se intensificar.


As tendências digitais no setor de saúde desenham um cenário futurista que já bate à porta das clínicas. A telemedicina, impulsionada pela pandemia, consolidou-se como atendimento eficaz e conveniente, permitindo alcançar pacientes em áreas remotas ou com mobilidade limitada. Mais do que consultas virtuais, essa expansão digital engloba monitoramento remoto de pacientes crônicos, exames à distância e uso massivo de IA para diagnósticos e recomendações personalizadas (4Medic, 2025).


Os dispositivos vestíveis (wearables) – relógios e sensores inteligentes – coletam dados em tempo real (frequência cardíaca, sono, pressão etc.), ajudando na detecção precoce de problemas. Aplicativos complementam com lembretes de medicação, programas de bem-estar e integração com prontuários digitais.

O futuro da saúde será cada vez mais digital, personalizado e “patient-centric”. Clínicas que investem em tecnologias e processos customizados estarão um passo à frente, construindo relacionamentos duradouros e uma cultura verdadeiramente centrada no ser humano.


Em suma, o paciente agora é protagonista e espera ser tratado como tal. Adaptar-se a esse novo perfil não é mais opcional; é questão de sobrevivência competitiva.


Dores Atuais: Aquisição, Fidelização, Margens e Produtividade


  1. Aquisição de pacientes: Atrair novos pacientes é apontado como desafio número um por quase metade das clínicas brasileiras (Doctoralia Panorama 2024). O mercado está saturado – o Brasil tem mais de 291 mil clínicas registradas – e a concorrência pela atenção do paciente é feroz.

  2. Fidelização e experiência: Manter pacientes engajados custa até 7x menos do que captar novos (Apolo, 2025). Ainda assim, muitas clínicas perdem receita por não acompanhar taxa de retorno.

  3. Margens financeiras: Custos fixos elevados e convênios com baixo reembolso corroem a sustentabilidade. Não por acaso, 43% dos gestores listaram gestão financeira como prioridade em 2023 (Doctoralia, 2024).

  4. Produtividade: agendas lotadas (com atrasos e desgaste) ou vazias (com desperdício de recursos). 42% das clínicas planejam investir em automação e digitalização como forma de corrigir isso (Doctoralia, 2024).


Resumindo: atrair pacientes, mantê-los satisfeitos, equilibrar as contas e otimizar operações formam o quarteto de desafios atuais. Ignorar qualquer um desses pontos pode comprometer a competitividade, ainda que a excelência médica individual seja indiscutível.


Crescimento Estratégico: Dados, Tendências e Oportunidades


Apesar das dores, há espaço para crescimento:

  • Mercado em expansão: a saúde representa ~9,3% do PIB brasileiro (cerca de R$800 bi/ano) e deve quase dobrar até 2028 (Medicina S/A, 2024).

  • Digitalização como motor: teleconsulta, prontuário eletrônico e automação estão cada vez mais acessíveis para pequenas clínicas.

  • Retenção como motor de lucratividade: pacientes fiéis consomem mais, recomendam mais e garantem receita estável.

  • Experiência e valor percebido: diferenciação não será só competência técnica, mas cuidado humano + inovação + conveniência.


Growth + Performance = Futuro Sustentável


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Growth é a visão estratégica que impulsiona o futuro desejado. Performance, no entanto, não é apenas medir resultados — é um conjunto estruturado de capacidade, cultura e visibilidade que garante que esse crescimento aconteça de forma sustentável.


1. Capacidade (Capacity)

Performance começa com infraestrutura, equipe, processos, tecnologia e finanças. Não adianta crescer se não há suporte interno. Crescimento sem capacidade gera sobrecarga, erros e insatisfação.


2. Cultura

Performance exige engajamento coletivo. Não é só o gestor ou médico principal: todos na clínica precisam compreender que cada detalhe — da recepção ao pós-consulta — impacta a experiência e a fidelização. Uma cultura de melhoria contínua é essencial.


3. Visibilidade

Não há performance sem clareza de indicadores. Tempo médio de espera, taxa de retorno, satisfação do paciente, receita por consulta — métricas simples, mas visíveis, criam alinhamento e responsabilidade em toda a equipe.


O ciclo virtuoso

  • Sem capacidade, Growth é insustentável.

  • Sem cultura, Growth é instável.

  • Sem visibilidade, Growth é invisível.

Clínicas que unem os três pilares criam um ciclo virtuoso: crescem com consistência, longevidade e propósito.


Sem performance, Growth vira tentativa e erro. Sem Growth, Performance vira estagnação.


Conclusão: De Médico a Líder Visionário – E Agora?


Falar em Growth e Performance em clínicas médicas é falar sobre evolução de mindset. Significa o médico vestir o jaleco e, ao mesmo tempo, o chapéu de estrategista de negócios.


Seu paciente mudou. Sua concorrência mudou. E a forma de gerir saúde está mudando rapidamente.

A questão é: você vai reagir ou liderar essa mudança?


Growth em saúde não é moda passageira, mas sim resposta adaptativa a um cenário em transformação constante. Paciente no centro, saúde digital, experiência superior, eficiência e dados são os novos mantras de quem quer prosperar na medicina privada.


Ignorar isso pode condenar clínicas excelentes à irrelevância. Adotar de forma inteligente pode diferenciá-lo no mercado e garantir longevidade empresarial — que, no fim, significa poder ajudar mais pessoas, por mais tempo.


Fica aqui a chamada: qual será o próximo passo da sua clínica?

Por Jorge E. Zwingel - Founder & CEO Rocketbase

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